quarta-feira, 14 de agosto de 2013

PONTUO

Pontuo.... E
O tempo morre lento.

Breve e fatídico
O verde surge timidamente.

O tempo morre rápido
Mas o verde mostra a vida.

Salsa: dança?

Não. 
Pontuo onde quero.

Salsa: PLANTA!


sábado, 15 de junho de 2013

Vez ou outra


Fogem-me as palavras

Para a tinta nadar no branco

Poética rompida na alma

"A pedra tornou-se a mais bruta rocha."


Deus não olha para mim.

Não gosta de poesia...


DO PERDÃO


Eu poderia ter te perdoado
Não fosse tua aparente liberdade
Ao se lançar de alturas tantas
Em busca do desconhecido.

Eu poderia ter sugado de ti
Todos os pecados imperdoáveis
Por que te embrenhastes na solidão
Com a fúria do universo.

Eu poderia, quem sabe, ter apaziguado
As tempestades que te assolam
No escuro da noite e do dia que se eclipsa
Negando-te benevolência.

Eu poderia ter te avisado dos perigos
Da infração de regras pelas quais te aventuraste.

Mas não o fiz. Não o quis fazer.
Eu poderia ter... mas não teria sido eu.

O "eu" que não perdoa é o "Eu"
Que não quer, ou não merece perdão.

12.06.13

domingo, 5 de maio de 2013

Que seja...

Que o breve
seja de um longo pensar

Que o longo
seja de um curto sentir

Que tudo seja leve
de tal forma
que o tempo nunca leve.
Alice Ruiz
Breve e leve...

terça-feira, 30 de abril de 2013

Quimeras

"O sonho é a prova de que imaginar,
sonhar com aquilo que não aconteceu,
é uma das mais profundas 
necessidades do homem."
Milan Kundera

E como sobreviveríamos, 
não fossem as quimeras???

Fim de linha

Então é assim?
De repente morreu o desejo
De ouvir suas novidades.

Não há mais poesia na lua
Sonhos se acabaram perdidos pela trilha
Só a crueza da vida me basta.

Desesperança nasceu
Onde morre o essencial.
Ser não é mais.

O inexprimível calou todas as vozes.

Só o silêncio restou 
Abafando todo barulho
Que habita a alma cansada.





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Por que dos porquês?
O que nos custaria 
crer de repente em tudo
e pensar que somos felizes
ao menos por alguns segundos...?

"Esse desespero é moda???"
Existem deliciosos momentos 
semelhantes "ao voo de um condor
que traz nas asas um sonho
com o céu por detrás".
Mas depois lembramos que o céu não existe.
Não há nada além do
negro vácuo no espaço infinito.
E os momentos se vão,
O sonho morre
Com o desejo de que estejamos enganados,
e de crer que o céu existe sim...

domingo, 3 de junho de 2012

Do medo

"[...]Começava a ter medo dos outros. 
Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana." Nelson Rodrigues
 Às vezes me acomete com força... 
O medo dos outros. 
E, não raro, de mim mesma!

domingo, 27 de maio de 2012

De repente...

"De repente, não mais que de repente" (parodiando o poeta.)
Fui acometida por uma saudade imensa de não sei o quê.
Volto aqui e descubro que era disso.
Ps: Bom estar de volta!
Abraços a todos.
Carinho.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Saudade

"Saudade é uma linha tênue numa sombra trêmula e desigual.
Um silêncio escondido sem direção."
Rita Schultz
E quem a tem sabe que só se mata
"comendo a presença",
como dizia Clarice.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sonho?

"Sonho? Pobre não tem sonho.
Tem vontade."
(Resposta de uma mãe de família nordestina do sertão pernambucano a uma jornalista)
E mais uma vez, sem saber, uma pessoa quase sem estudo algum
fez poesia sobre a própria desgraça.
A poesia cabe em todo lugar.
 No mais incrível amor ou na mais lancinante dor. 
 
Ps: (Essa senhora tem 9 filhos dos quais 4 têm uma doença neuronal degenerativa.
Todos estão em cadeiras de rodas sobrevivendo a duras penas...)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Das agruras do amor

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.


Sophia de Mello Breyner Andresen 
Não importa o lugar.
O terror em qualquer situação é de amar...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ausência

"O poeta se engrandece
perante a ausência,
como se só a ausência fosse o seu altar,
e ele ficasse maior que a palavra.
No meu caso, não,
a ausência me deixa submersa,
sem acesso a mim."
Mia Couto
(Antes de nascer o mundo)
A ausência não pode curar nenhum mal.
"Eu só sou na tua presença." 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

De novo amor

"O amor é uma morfina.
Podia ser comerciado em embalagem sob o nome:
AMORFINA."
Mia Couto
(Antes de nascer o mundo)
Nada mais entorpecente.
Enebria todos os sentidos possíveis 
e até faz-nos crer que existe mesmo.
Ah, o amor...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sobre a vida

"Não chegamos realmente a viver durante a maior parte da nossa vida. 
Desperdiçamo-nos numa espraiada letargia a que, 
para nosso próprio engano e consolo, chamamos existência. 
No resto, vamos vagalumeando, 
acesos apenas por breves intermitências." 
Mia Couto
(Do livro: Antes de nascer o mundo)
E essas intermitências, às vezes, 
fazem valer uma vida inteira...

sábado, 19 de novembro de 2011

Da África

"'Escuta', diz a África milenar. 
Tudo fala. Tudo é palavra. 
Tudo busca nos transmitir um estado de ser 
misteriosamente enriquecedor. 
Aprende a escutar o silêncio 
e descobrirás que é música." 
Amadou Hampâté-Bâ
E descobrir a literatura africana é algo como
ouvir boa música todo tempo,
pois além do que lê,
ficam na mente gritando
aquelas belas vozes da África.
As vozes do silêncio.
Delicioso!!!

sábado, 12 de novembro de 2011

Viajante

"Eu sou o viajante do deserto que, no regresso, diz:
viajei apenas para procurar minhas próprias pegadas.
Sim, eu sou aquele que viaja apenas para se cobrir de saudades.
Eis o deserto, e nele me sonho;
eis o oásis, e nele não sei viver."
Mia Couto
(Venenos de Deus, remédios do Diabo)
Pior que cobrir-se de saudades
é não ter como matá-las...
Pior que caminhar descalço na areia quente
é não encontrar suas pegadas
na tentativa de regresso.

Da alta idade

"Cada velho que morre
é uma biblioteca que arde."
Mia Couto
Ah, quem dera pudéssemos salvaguardar
todas as histórias
carregadas nas memórias 
dos que já viveram tanto,
e têm (ou tinham)
tantas histórias para contar...
São ou foram, esses idosos,
bibliotecas orais.

Ps: Em memória dos meus (idos e amados) avôs.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Veneno

"O suficiente é para quem não ama.
No amor, só existem infinitos."
Mia Couto
(Venenos de Deus, remédios do Diabo)
 E por ser de infinitos 
talvez não o venhamos a entender nunca.