Onde dormi enquanto tantos voavam?
O que falei quando tantos me perguntavam?
Que esperanças dei no momento em que tantos desacreditavam?
Que saldo levei na surdina enquanto tantos rezavam?
O que sobrou de mim onde tantos esperavam?
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
sábado, 12 de dezembro de 2015
DESIGNAÇÕES
Sofremos certa metamorfose com o tempo.
Metamorfose na vida de pessoas.
Passamos a ter outras designações para algumas.
"- Uma ex-aluna será sempre uma ex-aluna? "
Não me recordo o motivo da pergunta,
Mas a resposta foi um "Não" certo.
Realmente: uma ex-aluna pode tornar-se tantas coisas...
Até anjo.
For: Joyce
Metamorfose na vida de pessoas.
Passamos a ter outras designações para algumas.
"- Uma ex-aluna será sempre uma ex-aluna? "
Não me recordo o motivo da pergunta,
Mas a resposta foi um "Não" certo.
Realmente: uma ex-aluna pode tornar-se tantas coisas...
Até anjo.
For: Joyce
QUERUBIM MANCHADO
E justamente naquele dia
O ébrio anjo da guarda
Estava cumprindo seu dever:
E segurou os braços dela.
A queda que deveria ter sido e não foi.
Ei, anjo safado,
Querubim alcoólatra
Agora caminha por aí
Manchado do sangue que não lhe pertence.
Para quem nunca antes conseguiu chegar na hora,
Respeito eterno.
O ébrio anjo da guarda
Estava cumprindo seu dever:
E segurou os braços dela.
A queda que deveria ter sido e não foi.
Ei, anjo safado,
Querubim alcoólatra
Agora caminha por aí
Manchado do sangue que não lhe pertence.
Para quem nunca antes conseguiu chegar na hora,
Respeito eterno.
sábado, 5 de dezembro de 2015
DEVANEIOS
Senti uma luva suave envolvendo meu pescoço.
- "Você parece um anjo."
Os dedos tomaram a forma arredondada das veias pulsantes.
- "Não sou um anjo. Sou a corrente atada à âncora da sua vida."
- "Vida? Qual?"
A luva apertou-se até levar-me ao fundo. E vi.
- "Você parece um anjo."
Os dedos tomaram a forma arredondada das veias pulsantes.
- "Não sou um anjo. Sou a corrente atada à âncora da sua vida."
- "Vida? Qual?"
A luva apertou-se até levar-me ao fundo. E vi.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
BITUCAS
Procurei pelas bitucas que encontrávamos nas ruas.
Como não se avizinhar dos que as jogaram?
O prazer subversivo da infância, tragar.
A bebida não fazia tanto sucesso entre os pequenos.
Os restos de tabaco sim.
Tudo tão natural.
Os donos antigos das bitucas nunca imaginaram o destino delas.
Pequenas bocas...
Para alguns teria sido a maior rebeldia já cometida,
A outros, a perdição, males, morte.
Mas para uma teria sido o auge da excentricidade,
Acender uma bituca, tragar como se fosse o último prazer...
E naqueles tempos era.
Como não se avizinhar dos que as jogaram?
O prazer subversivo da infância, tragar.
A bebida não fazia tanto sucesso entre os pequenos.
Os restos de tabaco sim.
Tudo tão natural.
Os donos antigos das bitucas nunca imaginaram o destino delas.
Pequenas bocas...
Para alguns teria sido a maior rebeldia já cometida,
A outros, a perdição, males, morte.
Mas para uma teria sido o auge da excentricidade,
Acender uma bituca, tragar como se fosse o último prazer...
E naqueles tempos era.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
PASSOS DOLORIDOS
E de toda a pancada da vida resta um pouco...
As dores persistentes, os passos não dados.
A perna oriunda do estado islâmico,
Prestes a explodir.
Fez-se membro do terrorismo, esta perna.
Nos últimos dias, põe-me em constante delírio:
A salvação só virá por uma ponto de saída?
Todos os outros serão condenados?
É preciso armar-se e combater os infiéis,
Todos os que não sofrem, mofarão na UTI.
Os que se negarem a fazer a passagem,
Serão condenados a ficar na dúvida eterna,
Ficarão se perguntando para sempre:
"Por que eu não fui?"
As dores persistentes, os passos não dados.
A perna oriunda do estado islâmico,
Prestes a explodir.
Fez-se membro do terrorismo, esta perna.
Nos últimos dias, põe-me em constante delírio:
A salvação só virá por uma ponto de saída?
Todos os outros serão condenados?
É preciso armar-se e combater os infiéis,
Todos os que não sofrem, mofarão na UTI.
Os que se negarem a fazer a passagem,
Serão condenados a ficar na dúvida eterna,
Ficarão se perguntando para sempre:
"Por que eu não fui?"
terça-feira, 24 de novembro de 2015
NÓ CEGO - SUBMUNDO DA HISTÓRIA
Poderia ser um só correndo em meu encalço.
Poderia estar sozinha para decidir o que fazer sozinha...
Fugir seria ótimo!
Gritar que não queria viver aquilo seria perfeito. Desistir.
Mas não. Não pude. Não era só um correndo atrás de mim.
Havia um batalhão de homens fardados, com caras pintadas de guerra
E bem armados.
Correr só de que jeito, se atado a meu braço por uma espécie de algema
Havia alguém que nunca vi antes e que dependia de mim também para se salvar?
- Corre!!! - era o que eu podia gritar, num português maldito - Corra!!! não cabia
naquele matagal e situação. Então consegui me livrar dele e acordei com os tubos
de soro na mão desvairada. Acabara de arrancar a algema que não existia
naquele braço cansado de dor... E consegui dar fim à angústia do meu companheiro
que tinha medo de viver...
Poderia estar sozinha para decidir o que fazer sozinha...
Fugir seria ótimo!
Gritar que não queria viver aquilo seria perfeito. Desistir.
Mas não. Não pude. Não era só um correndo atrás de mim.
Havia um batalhão de homens fardados, com caras pintadas de guerra
E bem armados.
Correr só de que jeito, se atado a meu braço por uma espécie de algema
Havia alguém que nunca vi antes e que dependia de mim também para se salvar?
- Corre!!! - era o que eu podia gritar, num português maldito - Corra!!! não cabia
naquele matagal e situação. Então consegui me livrar dele e acordei com os tubos
de soro na mão desvairada. Acabara de arrancar a algema que não existia
naquele braço cansado de dor... E consegui dar fim à angústia do meu companheiro
que tinha medo de viver...
OPISANIE SUIWATA
“A gente escreve para não esquecer.
Ou para fingir que não esqueceu.
[...] Ou para inventar o que esqueceu.
Talvez a gente só escreva sobre o que nunca existiu.”
VERONICA STIGGER
Ou para fingir que não esqueceu.
[...] Ou para inventar o que esqueceu.
Talvez a gente só escreva sobre o que nunca existiu.”
VERONICA STIGGER
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
RECLUSA
E foi tão pouco tempo que se passou cá fora para os outros,
Mas foram incontáveis os dias para meu corpo cansado lá dentro.
Até que não pudemos mais nos situar nas páginas de calendários
E começamos a pensar que alguém estaria cansado da vida.
Entretanto havia algo de pestilento no ar
e de falas desconexas
Mas foram incontáveis os dias para meu corpo cansado lá dentro.
Até que não pudemos mais nos situar nas páginas de calendários
E começamos a pensar que alguém estaria cansado da vida.
Entretanto havia algo de pestilento no ar
e de falas desconexas
dentro daquele lugar sombrio
Blues da Piedade
"Vamos pedir piedade, Senhor, Piedade, para essa gente careta e covarde..." É tudo o que venho pedir. Ah, e falta também coragem... Peço essa coragem aí para meus ossos contritos e fragilizados...
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
GUERRA
"- O mal é esta ser a guerra do vocês.
Ninguém a considera sua.
É filha de pai incógnito."
(Personagem Capitão)
NÓ CEGO - CARLOS VALE FERRAZ
Ninguém a considera sua.
É filha de pai incógnito."
(Personagem Capitão)
NÓ CEGO - CARLOS VALE FERRAZ
E a guerra, quem as faz sempre,
quem morre e mata são os que não sabem
o porquê de fazê-lo.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
ESCRAVIDÃO
CARTA DE ANA OLÍMPIA A EÇA DE QUEIROZ - AGOSTO DE 1900.
"Os escravos constituem o fermento da grande sublevação. Em primeiro lugar porque são almas livres, ainda não submetidas a essa ideia monstruosa de um Deus e de um Paraíso com que os governos dos países cristãos iludem os pobres. Em Deus, ou melhor, na ficção de Deus, está a verdadeira escravidão. A liberdade dos homens só será completa quando tivermos assassinado Deus. [...] O problema é que a liberdade total assusta o Homem." NAÇÃO CRIOULA - AGUALUSA
LIBERDADE
Ontem disse-me: "se forem os brancos a oferecer a liberdade aos pretos
nunca mais seremos realmente livres.
Temos de ser nós a conquistar a liberdade
para que possamos depois olhar para vocês
de igual para igual."
Fradique Mendes (sobre Ana Olímpia)
NAÇÃO CRIOULA - AGUALUSA
Provavelmente Ana Olímpia tivesse razão.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
JUSTIÇA
"Aquele que luta contra os agentes da punição faz, de algum modo, a própria defesa individual contra uma ordem jurídica que o não respeita nem o protege." JOAQUIM NABUCO
(NAÇÃO CRIOULA - AGUALUSA)
SOLIDÃO
"Como escreveu o velho Balzac: A solidão é óptima, desde que haja alguém com que possamos conversar sobre isso."
CARTA DE FRADIQUE MENDES
(NAÇÃO CRIOULA - AGUALUSA)
SECRET LOVE
"Escreves: 'O nosso amor nasceu furtivo e até onde eu alcanço teria de continuar assim, criando pouco a pouco sombras e rancor - que é o bolor dos sentimentos -, até por completo apodrecer.' Eu acredito, pelo contrário, que certos sentimentos mais facilmente se corrompem quando expostos à luz pública das praças e das ruas."
CARTA DE FRADIQUE MENDES A ANA OLÍMPIA
(ROMANCE: NAÇÃO CRIOULA - JOSÉ EDUARDO AGUALUSA)
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
MORTE ALHEIA
“No fundo, claro, é a nossa própria morte
que tememos na
vivência da alheia
e é em face dela e por ela
que nos tornamos submissamente
cobardes.”
ANTÓNIO LOBO ANTUNES
(Os cus de Judas)
SUBSOLO
"Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela mesmo aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio, e em cada homem honesto, acumula-se um número bastante considerável de coisas no gênero. E acontece até o seguinte: quanto mais honesto é o homem, mais coisas assim ele possui."
MEMÓRIAS DO SUBSOLO - FIÓDOR DOSTOIÉVSKIsegunda-feira, 17 de agosto de 2015
CAPA HUMANA
“O tempo trouxe-nos a sabedoria da incredulidade e do
cinismo [...], e desconfiamos tanto da humanidade como de nós mesmos, por
conhecermos o egoísmo azedo do nosso caráter sob as enganadoras aparências de
um verniz generoso.”
António Lobo Antunes (Romance Os cus de Judas)
António Lobo Antunes (Romance Os cus de Judas)
domingo, 2 de agosto de 2015
PRATA
Ontem namorei a lua de novo.
Imensa e luminosa
Navegou pelo céu
Sob meu olhar atento
Por horas.
Horas vazias
Cinzas horas.
Pelas horas minhas
e pela prata dela.
Horas que anunciam
A música da vida.
Breve vida!
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