quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tantos "hás"

Às vezes há um silêncio ensurdecedor entre uma palavra e outra.
Há planos demais entre uma vida e outra.
Há motivos de menos para algumas atitudes humanas.
Há horizonte demais aos que navegam longas distâncias.
Há vida de menos a quem quer viver muito.
Há sobriedade muita aos que definem bem a utopia.
Contudo, a lua continua bela a beijar a relva lá fora.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pseudônimo

"Começo a conhecer-me. Não existo. 
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,  
ou metade desse intervalo, porque também há vida ... 
Sou isso, enfim ...  
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. 
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.  
É um universo barato." Álvaro de Campos

Vazio

O QUE ESCREVER QUANDO OS DEDOS NÃO ENCONTRAM AS TECLAS CERTAS PARA CRIAR A PALAVRA?
NÃO HÁ SEQUER UM BARCO AO LONGE PARA INSPIRAR O SER.
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"SUBMUNDO DO CAOS"

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sapiência

"Os eruditos são aqueles que leram nos livros, mas os pensadores, os gênios, os iluminadores e os promotores do gênero humano são aqueles que leram diretamente do livro do mundo."
Schopenhauer

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"De perto ninguém é normal."

             Quanto mais vivo, menos entendo meu semelhante. Menos ainda a mim mesma.
             Mas no meu semelhante, há algo que não consigo ver em mim: o desequilíbrio das viagens que só acontecem na mente humana. Creio que cada um não consegue reconhecer sua própria viagem, por isso não vejo a minha.
             Existem casos explícitos de mentiras absurdas para contornar a dura realidade que nos cabe. Conheço pessoas que mentem tanto para os outros, tentando explicar algo que não existe para si, que acaba acreditando no próprio engano que comete. Ou coisas pequenas, às vezes até ingênuas.          
             Mas por que o ser humano tem implícita essa necessidade narcísica de mentir para chamar a atenção sobre si? 
             Eu posso dizer ao mundo que sou uma quase dominadora de uma língua estrangeira, mesmo falando apenas meia dúzia de palavras. Falar de viagens que nunca fiz por cidades ou países do mundo inteiro, mesmo tendo conhecido tudo apenas teoricamente. Inventar doenças em meus familiares, que de uma gripe passa a ser possível tuberculose. Pensar que sou amado pelo mundo porque sou simpático, e não obstante sou visto como pedante. Acreditar ser superior ao outro porque leio um pouco mais do que os que me rodeiam e não passo de um pseudo-intelectual. Colocar-me na posição de vítima todas as vezes que sou contestada, mesmo não estando com a razão.
            E como se não bastasse a capacidade do ser humano de fantasiar para sair do real, agora por um meio muito mais rápido, a internet, fica fácil ser capaz de dizer ao mundo as mentiras. O que tem alimentado essas viagens da mente a um lugar que não existe.
           Essa parte do cérebro (deduzo) deve produzir um tipo de droga que nos torna presas fáceis de irrealidades. Enquanto algumas pessoas procuram a bebida ou qualquer entorpecente para fugir da realidade, outras liberam mais droga cerebral para também viajar na fantasia. Mas essa última droga talvez seja menos prejudicial, já que os efeitos colaterais dela são quase sempre inofensivos.
             Realidade à parte, quem nunca criou sua própria mentira para conseguir viver consigo mesmo, ainda que não verbalize ao mundo?
             Resta-nos então ficarmos de olho em nós e deciframos esse enigma: Qual é o nosso desequilíbrio?
           

          

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"Eu guardo em mim dois corações"


"Eu guardo em mim dois corações",
Um que é dos sonhos e um de milhões.
Milhões são todos os sentimentos que povoam esse intrépido lugar,
Embora amedrontado porque ignora tantas verdades da vida,
O coração de milhões segue aflito e indefeso.
Tum...tum...tum...tum...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O mito dos 10% do cérebro

            Quanto já ouvimos falar que só  utilizamos 10% do nosso cérebro? E quantas vezes repetimos essa ideia absurda?
             Segundo estudos recentes, isso não passa de mito (Livro -O cérebro nosso de cada dia).
           Como seria bom se tivéssemos ainda 90% de cérebro para usar, já que  nossa mente parece nos trair tantas vezes.
             Mas não temos. Tudo o que há no cérebro é certamente utilizado e nos faz o que somos. Podemos sim melhorá-lo, ou não, de acordo com o que buscamos aprender. Por isso a necessidade extrema do ser humano em exercitar esses 100% de capacidade cerebral de que é servido pela natureza.
              O estudante Alcides do Nascimento Lins, o rapaz que veio de uma condição miserável, ocupou o primeiro lugar no vestibular para Biomedicina numa Universidade Pública em Recife, e foi brutalmente assassinado há alguns dias, devia saber disso. Talvez tivesse consciência de que o que precisava para chegar onde chegou fosse muita luta. Luta que aprendeu desde muito cedo com a família que comemorou com ele a grande façanha de  um pobre, quase sem chances alcançar um lugar reservado para jovens que às vezes fazem anos de cursinho para chegar.
              O dr. Alcides brilhou durante todos os anos de sua vida, usufruindo o que tinha de melhor para usar além da boa educação que recebeu, seu cérebro.
              Mas então de repente os 100% da capacidade do doutor, tão bem utilizados, foram roubados por dois outros seres humanos, que certamente também usufruem dos seus 100%, mas para outros meios. Meios que puseram fim aos sonhos de uma família inteira. E fim à esperança de tantos que aguardam atendimento médico na fila de hospitais públicos.
             Quando ouvirmos agora o mito dos 10% do cérebro, que possamos ter a sapiência para não crer nessa historinha, discernir o bem do mal e nos conscientizar de que somos aquilo que queremos porque nossa capacidade cerebral toda está em atividade.
             Só precisamos escolher entre ser um doutor Alcides ou seus algozes.
             

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O possível é insosso...


"Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher? [...]" 
Fernando Pessoa



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Arruda e outras ervas daninhas

             
             Assisti feliz e indignada, através do telejornal, que foi decretada a prisão preventiva de Arruda e outras ervas daninhas que o acompanham. Feliz porque finalmente vejo um político em exercício ir para a cadeia, já que o mesmo se entregou à polícia. E indignada porque não foi preso por seus crimes, tão comprovados pelos inúmeros vídeos que surgiram, mas pelo simples fato de estar atrapalhando as investigações da PF.
             A pergunta é só uma: Se fosse um cidadão comum, suspeito de algum crime, já não estaria preso?
             E as ervas daninhas todas não satisfeitas com a vergonha toda escancarada para o mundo, ainda têm que se fazer presentes novamente para atrapalhar o andamento do trabalho alheio. É o fim!
             Não há provas concretas contra essas plantas carnívoras todas, mas precisam ficar trancafiados para não continuarem a comer o brasileiro cidadão, que mais uma vez assiste a tudo sem esboçar reação alguma de indignação.
             Coisa de gente acostumada!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Hábito...


'' Eu que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse.'
Clarice Lispector

E como acostumar-se a essa massa estúpida?
Não posso exigir nada então do mundo,
que não seja solidão.
Preciso de mim para me curar.
Deixe-me só com o som da minha cabeça.
Apague a luz quando sair, por favor.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Debaixo, bem debaixo...


"Debaixo de minha mesa
tem sempre um cão faminto
-que me alimenta a tristeza...
Debaixo de minha pele
alguém me olha esquisito
-pensando que sou ele.
Debaixo de minha escrita
há sangue em lugar de tinta
-e alguém calado que grita."

Debaixo de mim há um ser que me é estranho. O eu que não há.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Meu Deus, me dê a coragem...

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar. 
                                          Clarice Lispector

Que me reste o perdão pela indredulidade toda. Amém.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cegos

Lancemos nossa mão inútil ao nada...
Descarreguemos o tambor das nossas falhas para com a humanidade.
Que nossas armas possam nos servir de consolo por nada termos feito por alguém.
Aos vencedores, a glória!
A quem se isenta de culpa mesmo tendo, o putrefato odor da indiferença.
Perdedores da miséria somos esses que não enxergamos
mesmo que nada obscureça nossa visão.
Por que não vemos?
Quantos somos esses vermes?
É simples assim caminhar na doce alegria de nenhum compromisso com o próximo.
Caminhemos então pisando cabeças, acreditando pisar o paraíso.